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Porque, em certas épocas do ano, o cabelo pode cair mais cedo?

Porque, em certas épocas do ano, o cabelo pode cair mais cedo?
 
Autor Dra. Claudia Bernárdez
Fecha 25 August, 2026
 

Dra. Claudia Bernárdez

Durante anos, falámos da famosa “queda de outono”. No entanto, é cada vez mais frequente que, em consulta, os pacientes nos digam o mesmo: “Este ano começou mais cedo”. Julho, agosto… até antes de terminarem as férias.

E talvez devêssemos começar a deixar de pensar na queda sazonal como algo que acontece exclusivamente no outono.

O cabelo humano apresenta alguma sazonalidade

Os estudos que analisam o ciclo capilar ao longo do ano observaram um aumento de cabelos na fase telógena — a fase anterior à sua queda — durante o verão, com máximos que, classicamente, se situam por volta de agosto e setembro¹. Num estudo realizado com mais de 800 mulheres, observou-se precisamente esta periodicidade anual, além de um segundo pico, menos acentuado, durante a primavera.

Porque acontece?

A isto junta-se outro elemento: a nossa exposição ambiental está a mudar. Os verões são mais longos e as temperaturas elevadas surgem mais cedo. É razoável questionarmo-nos se estas alterações também podem modificar determinados ritmos biológicos, incluindo o ciclo capilar. Por agora, trata-se de uma hipótese interessante, embora não possamos afirmar cientificamente que as alterações climáticas estejam a antecipar diretamente a queda de cabelo.

O sol também pode ter alguma influência nesta queda. Alguns estudos observaram que uma exposição solar intensa no couro cabeludo pode ser seguida, meses mais tarde, por um aumento significativo da queda. Além disso, foi descrita uma maior frequência de eflúvio telógeno entre julho e outubro, relacionando-a com a exposição à radiação ultravioleta. Se começamos cada vez mais cedo a acumular dias de sol e radiação intensa, não é estranho que também possamos começar a notar mais cedo os seus efeitos no cabelo.

Provavelmente existe uma explicação ainda mais importante: a queda nunca depende de um único fator.

Um período intenso de stress em maio, uma infeção, uma dieta restritiva, uma perda rápida de peso, uma intervenção cirúrgica ou determinadas alterações nutricionais podem provocar um eflúvio telógeno, cuja queda se manifesta dois ou três meses mais tarde.

Por isso, aquilo que percebemos como uma “queda de verão” pode ser, na realidade, a soma de vários fenómenos: a própria sazonalidade, os fatores ambientais e acontecimentos que ocorreram meses antes. Compreender esta combinação ajuda-nos a perceber porque é que o cabelo pode começar a cair precisamente agora e, sobretudo, porque é importante cuidar dele de forma contínua. Se já notas um aumento da queda, este é um bom momento para reforçar a sua nutrição e proporcionar-lhe os cuidados especiais de que necessita durante esta fase de renovação. A Olistic ajuda-te a fazer um cuidado completo num simples gesto diário. E lembra-te: se a queda se prolongar no tempo ou se notares uma perda significativa de densidade, consulta um especialista para avaliar se existe alguma causa adicional.

Bibliografia:

  1. Kunz M, Seifert B, Trüeb RM. Seasonality of hair shedding in healthy women complaining of hair loss. Dermatology. 2009;219(2):105-110. DOI: 10.1159/000216832.

  2. Randall VA, Ebling FJG. Seasonal changes in human hair growth. Br J Dermatol. 1991;124(2):146-151.

  3. Camacho F, Moreno JC, García-Hernández MJ. Telogen Alopecia From UV Rays. Arch Dermatol. 1996;132(11):1398-1399. doi:10.1001/archderm.1996.03890350142037.

  4. Piérard-Franchimont C, Piérard GE. L'effluvium télogène actinique: une facette de la chronobiologie humaine. Int J Cosmet Sci. 1999;21(1):15-21.